CUBOVERDE apresenta Projeto do Partec Green em curso de MBA

Na última sexta-feira, 15 de setembro, a arquiteta Ingrid Dahm, do cuboverde, apresentou o projeto do Partec Green no curso de MBA em “Construções Sustentáveis – Certificações Ambientais de Edificações” da Universidade Cidade de São Paulo. Egressa da primeira turma na cidade de Porto Alegre, Ingrid comentou que é uma grande satisfação poder apresentar o projeto no mesmo curso e retribuir com um pouco de experiência o conhecimento adquirido desde então: “Pude aprender bastante com este MBA, em 2013. Boa parte deste conhecimento foi aplicado neste projeto. Foi com grande satisfação que atendi ao pedido do Prof. Antônio Macêdo de apresentar o projeto  a esta turma”.

No dia seguinte, a turma visitou as obras e pode ver de perto o projeto se materializando. A disciplina onde ocorreu a palestra e a visita era a última da terceira turma, que agora caminha para a entrega do trabalho de conclusão.

Conheça mais sobre o projeto em: http://cuboverde.com.br/projetos/partec/

 

O PROJETO DO PARTEC GREEN

O projeto do PARTEC GREEN trata-se de um prédio comercial com salas para locação, dentro da Tecnosinos – Parque de Tecnologia de São Leopoldo – que abriga empresas voltadas à Inovação. A demanda surgiu de um grupo de empresários que queria replicar o modelo de seu primeiro edifício, vizinho, maximizando os lucros e tendo um investimento reduzido. Porém, diferente do primeiro empreendimento, optou-se por um conceito arquitetônico que já nasceu considerando as premissas de sustentabilidade e exigindo as melhores práticas de todas as demais disciplinas, demonstrando que o projeto poderia atender as expectativas, inclusive superando-as, através da credibilidade proporcionada pelo nível de certificação PLATINUM do LEED.

O terreno escolhido para a implantação foi um resíduo de desmembramento do primeiro empreendimento, mas que permitia inserir o novo edifício num ambiente urbano consolidado, conectando-o com a
comunidade circundante. Com a proximidade de uma série de linhas de ônibus que atendem ao Campus Universitário, bem como a linha de trem metropolitano, os diferentes modais de transporte coletivo, comércio e serviços, são facilmente acessados numa distância compatível com pedestres e ciclistas.

O projeto contém bicicletário com capacidade de atender até 20 ciclistas, além de vestiários para este público, conforme especificações do GBC.

 

UM PROJETO PARA AS PESSOAS

O projeto buscou intensamente favorecer os pedestres em detrimento à circulação de veículos. Para isso, as áreas mais nobres foram destinadas ao convívio das pessoas sem que os veículos cruzassem
esses pontos.

As conexões entre as diferentes partes do projeto, como o acesso às salas de escritório, lojas, restaurante, vizinhos do polo tecnológico, além do Campus, podem todas ser percorridas a pé. Nestes
percursos, foram posicionados espaços de convivência e permanência, como um largo a ser utilizado por mesas e cadeiras e a escadaria com arquibancada.

Já para os carros foram previstos 4 subsolos. Assim, as vagas ficam cobertas, reduzindo os efeitos de ilha de calor, e densificadas, ocupando apenas espaços que não podem ser utilizados para permanência de pessoas e ocupação por salas comerciais.

 

FACHADAS INTELIGENTES, ILUMINAÇÃO CONTROLADA

Num estudo rigoroso, com simulações computacionais, inserções na carta solar considerando a exata localização georeferenciada, cada fachada passou por um estudo específico para definição da insolação admissível. Concebidas de maneira a controlar a incidência solar sem a necessidade de estruturas extras e dispendiosas, cada fachada teve o tratamento apropriado conforme a sua orientação solar.

A fachada norte teve as suas aberturas recuadas em relação ao plano externo, propiciando sombreamento nos meses de verão sem perda de insolação nos meses mais frios de inverno.

Já as fachadas leste e oeste receberam fenestrações com formato mais vertical, reduzindo a entrada de excesso de iluminação diário.

Já a fachada sul, por não receber nenhuma insolação relevante, pode ser bastante transparente, usufruindo da luz difusa ao longo de todos os dias.

 

MATERIAIS E ACABAMENTOS

Para a escolha dos materiais, foram considerados os seguintes critérios:
– Materiais Regionais: os principais fornecedores estão localizados a menos de 800km do destino, reduzindo o impacto de transporte e fortalecendo a economia local;
– Materiais com Baixa Emissão: As Tintas, os Vernizes, os Selantes e os Revestimentos possuem baixa emissão de COV, colaborando para melhor qualidade de ar interno;
– Manutenção e Durabilidade: os revestimentos foram especificados afim de diminuir o custo de manutenção ao longo do ciclo de vida do prédio, optando por materiais mais qualificados e duradouros.

 

CONTROLE DE POLUIÇÃO AÉREA

As equipes de trabalho, desde projetistas, construtores e operários, aprenderam que a Construção Sustentável e a Certicação LEED não são processos tão complexos como parecia inicialmente. Portanto,
soluções mais responsáveis, eficiêntes e até simples, passaram a ser incorporadas no dia a dia de cada um. Como destaque, podemos citar um dos colaboradores, na frase abaixo: “O LEED é um check-list de boas práticas de Projeto e de Obra que já conhecemos, mas nem sempre aplicamos. Uma vez passado pelo processo de certificação, pode-se ver que não é tão complexo assim, e que estas soluções podem muito bem ser incorporadas a todos os trabalhos, em maior ou menor grau.”

Para a comunidade onde o projeto se inseriu, vale destacar o benefício trazido pela sustentabilidade aplicada no canteiro. O impacto gerado pela obra foi minimizado com o controle de partículas, tanto da
erosão e assoreamento em dias de chuva como em poeira em dias de vento. Uma vez acondicionados corretamente, os resíduos puderam ser reaproveitados e os rejeitos contaminados com solventes e tintas
puderam ser destinados corretamente, não causando nenhum tipo de poluição de lençol freático. Como exemplo, vale citar que na escavação dos quatro subsolos, foram retirados mais de 2.000 caminhões de
terra sem provocar nenhuma sujeira nas ruas do entorno.